O psiquiatra e escritor Augusto Cury defendeu a continuidade da proibição do uso de celulares em salas de aula, medida que, segundo ele, favorece a concentração e o desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos estudantes. Em entrevista exclusiva à RECORD, Cury sustentou que a restrição deve ser mantida e combinada com projetos pedagógicos que orientem o uso consciente da tecnologia fora do horário escolar. O argumento central apresentado pelo especialista é que o emprego excessivo de smartphones compromete a atenção, a memória e o raciocínio, contribuindo para a formação de jovens mais ansiosos e impulsivos.
Consequências do uso excessivo de smartphones
Cury explicou que o celular funciona como um instrumento de dopamina rápida e recompensa imediata, o que reduz a capacidade de atenção sustentada e dificulta o manejo de frustrações cotidianas. Ele observou que escolas que adotaram a medida registram melhora no ambiente de aprendizado, pois os estudantes passam a interagir mais diretamente entre si. A análise do psiquiatra vincula o problema à formação de uma geração com dificuldades para lidar com situações que exigem persistência e reflexão mais longa.
Formação integral para além da tecnologia
A proibição do celular em sala de aula foi muito bem-vinda e deve continuar. As escolas não podem se tornar um ambiente de distração, mas de concentração.
Augusto Cury
Para o entrevistado, a escola tem a responsabilidade de formar não apenas cérebros, mas seres humanos capazes de se relacionar, cooperar e construir uma sociedade mais saudável. Sem o celular durante as aulas, os alunos aprendem a conviver, a dialogar e a desenvolver habilidades socioemocionais consideradas fundamentais para a vida adulta. Cury ressaltou que a medida não visa demonizar o aparelho, mas reservar seu uso para momentos adequados e com propósito definido.
Uso consciente fora do ambiente escolar
Não se trata de demonizar o celular, mas de usá-lo no momento certo e com propósito. A educação precisa formar mentes livres, não dependentes de telas.
Augusto Cury
O especialista concluiu que a educação deve priorizar mentes livres em vez de dependentes de telas, reforçando a necessidade de projetos que ensinem o uso responsável da tecnologia em outros contextos. A posição de Cury, que também é pré-candidato à Presidência da República em 2026, foi apresentada como parte de uma reflexão mais ampla sobre os efeitos do ambiente digital no desenvolvimento de crianças e adolescentes.