Uma operação realizada na segunda-feira, 20 de julho de 2026, removeu 146 estruturas irregulares na Área de Preservação Ambiental do Planalto Central, próxima ao Parque Nacional de Brasília. Agentes da DF Legal, em parceria com Terracap, Ibram, ICMBio, SSP-DF e PCDF, desmontaram barracos de lona e madeira, recolheram seis caminhões de entulho e prenderam dois suspeitos. A ação ocorreu dez dias após uma intervenção anterior e visou coibir novas invasões e grilagem na região próxima ao Setor Santa Luzia, na Estrutural.
Detalhes da intervenção
O ICMBio efetuou as prisões em flagrante e aplicou multa de R$ 120 mil ao líder da ocupação. A Polícia Civil do Distrito Federal apreendeu um veículo e um celular durante a fiscalização. Equipes integradas retiraram materiais que poderiam servir de base para novos parcelamentos clandestinos, reforçando o monitoramento contínuo da área de preservação.
Alertas sobre ocupação irregular
O professor Reuber Brandão, da UnB, destacou os riscos de ações desse tipo se consolidarem sem reversão. Ele afirmou que “Dificilmente depois que uma ação dessa se estabelece, o poder público, os interesses regionais, os interesses associados raramente vão retomar. Muitas vezes acaba que essas invasões iniciam, não são controladas e revertidas e acabam se estabelecendo definitivamente”.
A questão territorial do DF é séria. A quantidade de pessoas que não tem escrituras das suas moradias, isso é absurdo. A capital federal tem uma crise crônica com relação à posse da terra, com relação à segurança fundiária
Reuber Brandão
Brandão também alertou para o impacto na fauna local, lembrando que “Todos os grandes mamíferos do DF estão ameaçados. As áreas de conservação do DF, apesar de serem grandes, já estão completamente cercadas, muitas delas isoladas, formando ilhas que não permitem que populações desses animais mantenham uma dinâmica demográfica saudável”. A operação reforça a necessidade de ordenamento territorial para proteger o cerrado e evitar prejuízos à biodiversidade.