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JK e o modernismo: a semente política da nova capital

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Em 1958, o Brasil vivia um período de efervescência cultural e política sob a liderança de Juscelino Kubitschek. Enquanto celebrava vitórias como a construção acelerada de Brasília e a conquista da Copa do Mundo na Suécia, com astros como Pelé e Garrincha, JK simbolizava uma era de otimismo. O modernismo brasileiro, marcado por eventos como a Semana de Arte Moderna de 1922 e o Salão Revolucionário de 1931, encontrava seu ápice na nova capital projetada por Oscar Niemeyer e Lucio Costa. Essa fase harmoniosa incluía marcos culturais, como a gravação de “Chega de Saudade” por João Gilberto, o surgimento do Cinema Novo e a eleição de Adalgisa Colombo como Miss Brasil, refletindo uma democracia vibrante que até entrevistava figuras como Luiz Carlos Prestes na TV.

A ligação de JK com o modernismo remonta à sua gestão como prefeito de Belo Horizonte, em 1940, quando, influenciado por Rodrigo de Mello Franco, convidou Lucio Costa e Oscar Niemeyer para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Esse projeto integrou arquitetura, escultura e pintura, com colaborações de artistas como Cândido Portinari, Athos Bulcão e Alfredo Ceschiatti, rompendo com estilos tradicionais em favor das ideias de Le Corbusier. A Igreja de São Francisco de Assis, consagrada apenas em 1959, exemplifica essa ousadia, apesar de o conjunto nunca ter se tornado um ponto turístico pleno. JK via na arte um instrumento para o desenvolvimentismo e o olhar social, inserindo Minas Gerais nos debates nacionais sobre o pós-guerra.

Em 1944, JK organizou a Exposição de Arte Moderna em Belo Horizonte, reunindo 134 obras de 46 artistas, incluindo Anita Malfatti, Alfredo Volpi e Di Cavalcanti. O evento atraiu intelectuais como Jorge Amado, Oswald de Andrade e José Lins do Rego, promovendo debates sobre o modernismo e divulgando a Pampulha. Essa iniciativa política posicionou JK como visionário, pavimentando o caminho para Brasília, onde a integração de arte e urbanismo se consolidou.

Na nova capital, artistas como Athos Bulcão, com mais de 260 obras em edifícios públicos; Burle Marx, responsável por jardins icônicos; Alfredo Ceschiatti, autor de esculturas como A Justiça no Supremo Tribunal Federal; e Bruno Giorgi, criador de Os Candangos na Praça dos Três Poderes, materializaram essa visão. Marianne Peretti, única mulher na equipe de Niemeyer, contribuiu com vitrais magníficos na Catedral e no Congresso, enfatizando leveza e transparência. Essa fusão de arte e política definiu o legado de JK.

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