O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou na sexta-feira (5) que foi escolhido pelo pai para disputar a Presidência da República em 2026. A revelação, feita publicamente, surpreendeu tanto aliados quanto opositores, especialmente porque Jair Bolsonaro está preso por tentativa de golpe de Estado. O anúncio veio após uma semana turbulenta para a família: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro interferiu negativamente em uma possível aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará, o que levou a críticas públicas de Flávio e Carlos Bolsonaro. Embora Flávio tenha se desculpado posteriormente, o episódio destacou divisões internas no clã.
A pré-candidatura de Flávio enfrenta resistência imediata, particularmente dos líderes do Centrão, que demonstram preferência por nomes como os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, vistos como opções mais viáveis para a disputa. No fim de semana, o próprio Flávio indicou flexibilidade ao afirmar que sua pré-candidatura “tem um preço” e poderia ser retirada em troca de uma contrapartida, o que aliados de Bolsonaro consideraram uma declaração desastrosa, sugerindo que a postulação é uma moeda de troca.
Para analisar o cenário, a jornalista Natuza Nery conversou com o colunista Octavio Guedes, do g1 e da GloboNews, no podcast O Assunto. Guedes comentou as movimentações no centro, na direita e no bolsonarismo, projetando a viabilidade política e eleitoral de Flávio nas urnas de 2026. Ele destacou que o centro-direita rechaça o projeto de Flávio e, sem a presença direta de Jair, vê um caminho livre para construir candidaturas alternativas, o que pode pulverizar as opções no campo conservador. O podcast, produzido diariamente pelo g1 desde agosto de 2019, acumula mais de 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube.