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Expansão do Comando Vermelho gera êxodo forçado em vilarejos do Ceará

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A expansão do Comando Vermelho pelo Brasil representa um dos maiores desafios para a segurança pública, impulsionada por acordos com quadrilhas locais que resultam em disputas territoriais violentas. No Ceará, essa dinâmica tem imposto terror sobre comunidades inteiras, como no povoado de Pacatuba, a 35 km de Fortaleza, onde 30 famílias foram expulsas de suas casas às pressas, abandonando até animais de estimação. Moradores de áreas próximas relatam pânico devido à localização estratégica da vila à beira de uma rodovia importante, tornando-a alvo de confrontos entre facções. Um residente local expressou resignação: “Ficar preocupado a gente fica, mas a gente entrega nas mãos de Deus. Não tem para onde ir mesmo”. Em casos semelhantes, como no distrito de Morada Nova, cerca de 2 mil habitantes fugiram há quatro meses após ordens de expulsão de um chefe do tráfico, em meio a disputas internas. Assassinatos de pessoas sem histórico criminal intensificaram o medo, levando ao abandono em massa.

Além do tráfico de drogas, as facções exercem controle sobre serviços como internet clandestina, cobram taxas ilegais de moradores e comerciantes, e aliciam jovens para o crime. Francisco Nascimento, do Laboratório de Estudos sobre Conflitualidade e Violência, destaca que o medo é o principal motor para essas migrações, impulsionadas por silenciamentos, expulsões e extorsões que ameaçam a segurança familiar. A Secretaria Nacional de Políticas Penais mapeou 46 facções atuando no Nordeste, com o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro ocupando periferias de Fortaleza – este último aliado aos Guardiões do Estado. O Ceará registra a maior taxa de homicídios do Brasil, com 34,42 por 100 mil habitantes e mais de 3 mil assassinatos em 2024. De janeiro de 2024 a setembro de 2025, a Polícia Civil contabilizou 219 casos de pessoas que deixaram suas casas após ameaças de facções.

A polícia tem respondido com medidas como a instalação de postos fixos, como na escola de Morada Nova, embora poucos moradores se sintam seguros para retornar, deixando comércios, serviços e igrejas fechados. Harley Filho, coordenador de planejamento operacional da Secretaria de Segurança Pública, informou que dez suspeitos de chefiar o tráfico em Nova Morada foram presos, e investigações prosseguem em Pacatuba. Ele enfatiza a ação integrada das forças de segurança para identificar e capturar criminosos, incentivando a confiança da população nas instituições.

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