Inicial Política Hugo Motta sob fogo cruzado: o desgaste crescente na presidência da Câmara
Política

Hugo Motta sob fogo cruzado: o desgaste crescente na presidência da Câmara

141

Desde que assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro, Hugo Motta (Republicanos-PB) enfrenta seu período de maior desgaste, com críticas de governistas e oposicionistas. Monitoramentos digitais indicam que ele é um dos nomes mais criticados no Congresso nas redes sociais. Uma pesquisa da agência Ativaweb, realizada em 9 e 10 de dezembro, revela que 72,8% das menções a Motta foram negativas, com 7.345.109 referências ligadas principalmente à sessão de votação do Projeto de Lei da Dosimetria. O episódio foi marcado por tumultos, uso de força policial contra o deputado Glauber Braga (PSol-RJ), retirada de jornalistas e interrupção do sinal da TV Câmara. De cada dez manifestações sobre o dia, apenas uma não criticava o presidente da Casa.

O desgaste não se restringe ao PL da Dosimetria. A condução de pautas como a “PEC da Blindagem”, criticada por ampliar garantias a congressistas contra investigações, gerou rejeição até no Senado, com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) declarando que o texto não passaria. Manifestações em setembro aceleraram seu sepultamento. Motta também acionou judicialmente o Sindicato dos Trabalhadores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica da Paraíba por outdoors críticos em João Pessoa. Desconfianças do Palácio do Planalto surgiram cedo, com o presidente Lula expressando dúvidas sobre a experiência de Motta. Quebras de acordos, como a pauta do Projeto de Decreto Legislativo sobre o IOF, e rompimentos com líderes como Lindbergh Farias (PT-RJ) agravaram as tensões.

Cientistas políticos apontam fragilidades na gestão de Motta. Leonardo Paz Neves, da FGV, observa que o deputado carece de base sólida e equilibra-se precariamente entre governo e oposição, insatisfazendo ambos. Pedro Hermílio Villa Boas Castelo Branco, do Iesp-Uerj, destaca o custo institucional pela falta de acordos prévios, prejudicando a credibilidade do Parlamento. O cenário se complica com decisões pendentes sobre deputados como Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, e protestos previstos para hoje contra o PL da Dosimetria, que pode beneficiar condenados por tentativas de golpe. No Senado, o texto será relatado por Esperidião Amin (PP-SC), com o governo articulando sua rejeição.

Conteúdos relacionados

Senado vota terceirização de monitoramento e movimentação de presos
Distrito FederalPolíticaSegurança

Senado vota terceirização de monitoramento e movimentação de presos

O Senado Federal deve votar até o final do primeiro semestre um...

Smartphone sobre mesa com documentos em investigação de grampo no celular na Câmara do DF
Distrito FederalPolíticaSegurança

Câmara do DF abre investigação sobre grampo no celular de Max Maciel

A Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu investigar denúncias graves de espionagem...

Plenário da Câmara Legislativa do DF durante votação para presidência do IgesDF
Distrito FederalPolítica

Câmara Legislativa aprova Eliane Souza de Abreu para presidência do IgesDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, na tarde de terça-feira, a...

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF
Distrito FederalPolítica

Câmara do DF aprova Tabela SUS Candanga e eleva valores pagos na rede pública

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou em dois turnos o projeto...