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Tragédia em creche irregular no DF revela crise no acesso a vagas públicas

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A cabelereira Lorrany Stephane Ribeiro de Oliveira, de 27 anos, viveu um drama ao perder a filha Laura Rebeca Ribeiro Dos Santos, de 1 ano e 4 meses, em uma creche irregular em Ceilândia. A criança morreu por asfixia causada pelo cinto de um bebê-conforto, conforme laudo preliminar, na tarde de quinta-feira. Lorrany, que criava a filha sozinha e precisava trabalhar, pagou R$ 50 pelo serviço após ser indicada à cuidadora, que prometeu vigilância com câmeras e atualizações durante o dia. No entanto, relatos da mãe apontam contradições nas versões da responsável, incluindo a saída para levar outras crianças à escola, deixando Laura com o marido. Equipes do Samu tentaram reanimar a menina, mas sem sucesso, e o sepultamento ocorreu nesta sexta-feira no Cemitério Campo da Esperança, em Taguatinga.

A investigação, conduzida pela 24ª Delegacia de Polícia, registra o caso como homicídio culposo e depende de perícia e análise de câmeras apreendidas na casa, onde oito outras crianças estavam no momento. A cuidadora, ouvida e liberada, alegou ter colocado Laura para dormir em um bebê-conforto após alimentá-la, mas encontrou o equipamento caído ao retornar. O marido dela será depoido na próxima semana. O advogado criminalista Guilherme Gama destaca que a operação irregular pode resultar em responsabilização penal e civil, com indenizações por falha no dever de cuidado, agravada pela falta de alvará e padrões de segurança.

O episódio expõe falhas no sistema de educação infantil no Distrito Federal, onde 4,5 mil crianças aguardam vagas em creches públicas. Laura ocupava a 38ª posição em uma lista de 90 na Coordenação Regional de Ensino do Setor O. A Secretaria de Educação informa que atende cerca de 10,9 mil crianças, mas reconhece a existência de 40 creches irregulares identificadas em 2025, sem previsão legal para modelos domiciliares. O presidente do Conselho de Educação do DF, Álvaro Moreira Domingues Júnior, enfatiza a necessidade de documentação como CNPJ, licenças e projeto pedagógico para autorização oficial, com listas públicas disponíveis. O DF Legal foi acionado para verificar o local, destacando a urgência de medidas para combater a clandestinidade e o déficit de vagas.

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