O Ministério da Igualdade Racial emitiu uma nota nesta quarta-feira (19) repudiando atos de racismo religioso e violência institucional ocorridos na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento, no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo. No dia 12 de junho, quatro policiais militares, portando armas, entraram na instituição após um pai ligar para a polícia, motivado por um desenho de orixá – divindade da religião Iorubá – feito por sua filha durante uma atividade escolar. A pasta destacou que o episódio representa um desrespeito às origens culturais brasileiras e reforçou o compromisso em combater a intolerância contra religiões de matriz africana.
De acordo com o ministério, a atividade pedagógica está alinhada às leis nº 10.639, de 2003, e nº 11.645, de 2008, que obrigam o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena em escolas públicas e privadas. Essa abordagem amplia as possibilidades educacionais para o reconhecimento e valorização das identidades negras, quilombolas, indígenas e afro-brasileiras, essenciais para compreender a identidade nacional construída a partir dessas raízes. A nota afirma que o conhecimento é fundamental para fortalecer a sociedade e evitar episódios de racismo e intolerância.
A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo abriu procedimentos para investigar a conduta dos policiais envolvidos, solicitando imagens de câmeras corporais e do circuito interno da escola. Além disso, como o pai da aluna é servidor de segurança pública estadual, um segundo inquérito foi iniciado para apurar sua ação. A ouvidoria repudiou veementemente indícios de racismo religioso e anunciou que está finalizando uma proposta sobre relações étnico-raciais para agentes da ronda escolar, enfatizando a necessidade de rigor na apuração para promover tolerância e conhecimento, opostos à intolerância.