O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, foi elogiado por educadores por promover discussões sobre violações de direitos e preconceito etário. Professores consultados pela Agência Brasil neste domingo (9) destacaram a relevância do assunto em meio ao envelhecimento da população brasileira, enfatizando a necessidade de combater o etarismo – o preconceito baseado na idade. A professora Bárbara Soares, de Brasília, apontou que o tema abre espaço para abordar desvios de recursos em aposentadorias e a urgência de novas políticas públicas para proteger grupos vulneráveis, alinhando-se a premissas constitucionais. Ela comparou com o tema de dois anos atrás sobre a invisibilização do trabalho de cuidado das mulheres, reforçando a importância de uma política nacional de cuidados estruturante.
O professor Thiago Braga, do Rio de Janeiro, contextualizou que, até 2070, quase 40% da população brasileira será composta por idosos, o que demanda uma abordagem interdisciplinar nas escolas. Ele sugeriu que os textos motivadores da prova podem guiar os alunos, recomendando o Estatuto da Pessoa Idosa de 2003 como referência para as redações. Já a professora Rayana Roale, também do Rio, avaliou o tema como de complexidade mediana, acessível devido ao amplo repertório disponível, e destacou como o envelhecimento afeta todas as camadas sociais. A professora Michele Marcelino, de São Paulo, considerou o acerto do exame ao discutir etarismo, direitos dos idosos e problemas como abandono e preconceito, em sintonia com mudanças sociais no país.
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, defendeu que o tema provoca reflexões sobre desafios no acesso a trabalho digno, previdência social e saúde pública de qualidade, demandando o desenvolvimento de políticas públicas. Ela ressaltou o impacto da democratização do ensino superior, que permite a presença de idosos em salas de aula, promovendo o convívio intergeracional. Recentemente, a Agência Brasil reportou histórias de médicos octogenários ainda ativos, superando preconceitos, e especialistas que apontam o convívio entre gerações como chave contra o etarismo, reforçando a necessidade de ações políticas inclusivas.