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Japão aprova retomada da maior usina nuclear do mundo em meio a protestos e memórias de Fukushima

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A assembleia da província de Niigata, no Japão, aprovou nesta segunda-feira uma votação de confiança no governador Hideyo Hanazumi, pavimentando o caminho para a retomada das operações na usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo. Operada pela Tokyo Electric Power Company (TEPCO), a mesma empresa responsável pelo desastre de Fukushima em 2011, a usina estava inativa desde o terremoto e tsunami que devastaram o país há quase 15 anos. Essa decisão marca um momento decisivo na política energética japonesa, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. A TEPCO planeja reativar o primeiro dos sete reatores possivelmente em janeiro, após anos de paralisações que afetaram 54 reatores no país. O governador Hanazumi, que apoiou a medida no mês passado, expressou desejo por um futuro com menos dependência de fontes de energia que geram ansiedade, refletindo tensões internas no governo sobre o papel da energia nuclear.

Apesar do avanço, a decisão enfrenta resistência significativa de moradores locais e ativistas. Cerca de 300 manifestantes, muitos deles idosos e evacuados de Fukushima, protestaram em frente à assembleia provincial, cantando hinos nacionais e questionando a capacidade da TEPCO de gerenciar a usina com segurança. Uma pesquisa recente indicou que 60% dos residentes de Niigata acreditam que as condições para a retomada não foram atendidas, com 70% expressando preocupações sobre a operadora. Ayako Oga, uma agricultora de 52 anos que fugiu da zona de exclusão de Fukushima, juntou-se aos protestos, destacando os riscos baseados em sua experiência pessoal com estresse pós-traumático. A TEPCO prometeu investir 100 bilhões de ienes na região nos próximos 10 anos para ganhar apoio, mas o ceticismo persiste, ecoando lições não esquecidas do pior desastre nuclear desde Chernobyl.

A primeira-ministra Sanae Takaichi, no cargo há dois meses, apoia a retomada como forma de fortalecer a segurança energética do Japão, contrabalançando os altos custos de importações de gás e carvão, que totalizaram 10,7 trilhões de ienes no ano passado. Com a previsão de aumento na demanda por energia devido à expansão de data centers de inteligência artificial, o governo visa dobrar a participação nuclear para 20% da matriz elétrica até 2040. Analistas, como Joshua Ngu da Wood Mackenzie, veem isso como um marco crucial para os objetivos de descarbonização, embora críticos como Oga alertem para os perigos potenciais, pedindo que as lições de Fukushima não sejam ignoradas em nome do progresso energético.

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