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Rede criminosa global desvia milhões em doações para crianças com câncer, expondo falhas regulatórias internacionais

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Uma investigação da BBC revelou uma rede criminosa que explora famílias desesperadas de crianças com câncer, desviando milhões de dólares em doações destinadas a tratamentos médicos. Famílias em países como Filipinas, Colômbia e Ucrânia relataram terem sido abordadas por intermediários que prometiam campanhas de arrecadação para salvar suas crianças, mas receberam apenas cachês iniciais irrisórios, enquanto as campanhas online exibiam somas elevadas que nunca chegavam aos beneficiários. No caso de Khalil, um menino filipino de sete anos, uma campanha em seu nome arrecadou aparentemente US$ 27 mil, mas sua mãe, Aljin Tabasa, recebeu apenas US$ 700 pela filmagem forçada, e o garoto faleceu sem o apoio prometido. A rede, ligada a organizações como Chance Letikva, registradas em Israel, Estados Unidos e Canadá, utilizava táticas manipuladoras, como forçar lágrimas com cebolas e mentol, e selecionava crianças “bonitas” sem cabelo, entre três e nove anos, para maximizar o apelo emocional.

O principal suspeito identificado é Erez Hadari, um israelense residente no Canadá, que dirigia filmagens e coordenava campanhas por meio de entidades como Walls of Hope e Saint Raphael. Intermediários locais, como Rhoie Yncierto nas Filipinas e Isabel Hernández na Colômbia, recrutavam famílias em hospitais, prometendo ajuda financeira que nunca se materializava. A BBC confirmou que campanhas para pelo menos 15 famílias arrecadaram cerca de US$ 4 milhões, mas as vítimas afirmam não terem recebido nada, com o dinheiro supostamente gasto em “publicidade” sem comprovação. Especialistas alertam que custos com propaganda não devem exceder 20% das doações, destacando a falta de transparência. Hadari negou irregularidades, alegando que as organizações “nunca foram ativas”, mas não respondeu a questionamentos detalhados.

Essa operação transnacional expõe graves falhas em regulamentações de ONGs e campanhas de caridade, com autoridades em Israel e no Reino Unido recomendando verificações rigorosas para evitar fraudes. A Autoridade das Corporações de Israel pode proibir fundadores envolvidos em atividades ilegais, enquanto a Comissão da Caridade britânica aconselha doadores a checarem registros oficiais. Casos como o de Viktoriia, na Ucrânia, filmado na clínica Angelholm sem aprovação, ilustram como a ausência de supervisão governamental permite que criminosos lucrem com o sofrimento humano, demandando ações políticas coordenadas para proteger vulneráveis em escala global.

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