BRASÍLIA, DF — A crise política no Distrito Federal finalmente saiu do subterrâneo e explodiu na superfície neste domingo (15), expondo a fragilidade do Palácio do Buriti. A debandada coordenada de PSDB, PSD, PL e PRD não derruba a maioria de Ibaneis Rocha, que ainda respira via MDB, União/PP e Republicanos, mas impõe um custo político e, mais importante, financeiro insustentável ao governo. A movimentação enfraquece a vice-governadora Celina Leão e força Ibaneis a abrir os cofres para comprar a lealdade restante e evitar a asfixia.
Os partidos que pularam a cerca levavam pastas cruciais e de grande visibilidade. O PSDB controlava a estratégica Secretaria de Segurança Pública, enquanto o PSD gerenciava a Secretaria de Juventude e a Secretaria de Cultura. O PL, por sua vez, coordenava as Secretarias de Projetos Especiais e Agricultura, além da Administração do Jardim Botânico. O PRD detinha a Administração de São Sebastião. A perda de comandos tão sensíveis demonstra que o governo já não tem capital político para manter até mesmo aliados menores satisfeitos.
A tática de sobrevivência: troca de vice e gastos explosivos
O enfraquecimento de Ibaneis, somado às denúncias e ao desgaste, sinaliza uma guinada tática de alto risco: o governador será forçado a gastar muito mais dinheiro público para acomodar e garantir o apoio dos partidos remanescentes (MDB, União/PP, Republicanos) e impedir novas fissuras. O preço da governabilidade no DF acaba de subir exponencialmente.
Além do custo financeiro, a perda de musculatura na base coloca Celina Leão na berlinda. Sua impopularidade e falta de articulação a tornam um peso-morto no momento em que Ibaneis precisa de tração para 2026. A especulação já corre solta: a troca da vice é uma medida cada vez mais provável para que o governador tente se blindar e colocar ao seu lado alguém “mais popular” ou com maior capacidade de articulação, redesenhando a chapa.
Oposição afiada: Belmonte acelera e Arruda se reorganiza
A implosão é um bálsamo para a oposição. Paula Belmonte (PSDB), recém-lançada, assume a dianteira como o nome mais forte para polarizar contra Ibaneis. O PSD se realinha para a provável entrada de José Roberto Arruda na disputa. O PL ignora o Buriti, traçando sua rota própria para a vaga ao Senado. A facada final vem de Reguffe, que arranca o PRD e o Solidariedade da base e os alinha publicamente a Belmonte. Para complicar o cenário de Ibaneis no Senado, Lucas Kotayanes lança Marco Vicenzo como concorrente direto.
O recado é claro: o tabuleiro político foi redesenhado com fúria. A sobrevivência política de Ibaneis em meio a denúncias e à hemorragia de aliados dependerá agora de quantos recursos e concessões ele está disposto a sacrificar. A corrida eleitoral começou com o governo na defensiva e com a base sangrando.
Com a saída desses partidos, qual Secretária (Segurança Pública, Juventude, Cultura, Projetos Especiais ou Agricultura) você considera que será mais difícil para Ibaneis encontrar um substituto à altura?