Mais de 30 países enviaram uma carta conjunta à presidência da COP30 nesta quinta-feira (20), exigindo que o texto final da cúpula inclua um mapa do caminho para a transição global longe dos combustíveis fósseis. A iniciativa surgiu em resposta a rumores de que uma nova versão do rascunho poderia excluir essa proposta, presente no documento inicial divulgado na terça-feira. O presidente Lula enfatizou que não se pode abandonar os objetivos do Tratado de Paris, destacando a importância de manter o compromisso com a redução das emissões. O grupo de nações, que abrange Europa, América Latina, Ásia e ilhas do Pacífico, afirmou que não apoiará um resultado sem um roteiro justo, ordenado e equitativo para deixar para trás o petróleo, gás e carvão.
A resistência vem principalmente de grandes produtores e consumidores desses recursos, tornando o tema o ponto central das negociações na COP30. Negociadores relataram que algumas delegações consideraram abandonar as discussões caso o mapa do caminho fosse removido. Esse conceito, conhecido como “roadmap” em inglês, refere-se a planos de ação com etapas, prazos e metas concretas, definindo responsabilidades, cronogramas e recursos necessários. A inclusão depende de consenso entre os participantes, e o desfecho das negociações, que podem se estender até a madrugada ou o fim de semana, determinará o avanço nessa direção.
Desde a COP28 em Dubai, em 2023, os países concordaram com a necessidade de uma “transição para longe dos combustíveis fósseis”, mas sem detalhes sobre como e quando implementá-la. A COP29, no Azerbaijão, não trouxe progressos concretos. Agora, na COP30, as expectativas crescem diante de dados que mostram o aumento de eventos climáticos extremos e as baixas chances de limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação à era pré-industrial. O consenso científico reforça a urgência de frear as emissões de gases de efeito estufa para mitigar os impactos da crise climática.