Inicial Política Projetos legislativos contra aborto legal para vítimas infantis de estupro geram polêmica no Brasil
Política

Projetos legislativos contra aborto legal para vítimas infantis de estupro geram polêmica no Brasil

107

A vice-presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Marina De Pol Poniwas, criticou projetos que buscam dificultar o acesso ao aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, afirmando que tais iniciativas visam espalhar “pânico moral” para enfraquecer direitos fundamentais. Segundo ela, o Projeto de Decreto Legislativo 03 de 2025, aprovado pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (5), afronta esses direitos e interfere em um debate que deveria ser de saúde pública. Marina, que presidiu o Conanda no ano passado e assinou a Resolução 258, destacou que o documento continua vigente, pois o projeto ainda precisa de aprovação no Senado. A resolução foi editada em resposta a dados recordes de estupros em 2023 e a propostas como o PL que equiparava o aborto legal a homicídio. Ela orienta o sistema de garantia de direitos sobre o atendimento humanizado, priorizando a escuta especializada, o sigilo e o aborto legal sem exigência de boletim de ocorrência ou decisão judicial, conforme o Código Penal de 1940 e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Organizações de defesa dos direitos das crianças e mulheres lançaram um abaixo-assinado contra o decreto, integrado à campanha “Criança não é mãe”, que convoca atos para a próxima terça-feira (11) em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo. Laura Molinari, codiretora da campanha “Nem Presa Nem Morta”, aponta que esses projetos se intensificam em períodos eleitorais, promovidos por candidaturas de extrema direita, ignorando a realidade de meninas grávidas por violência sexual. Apesar de o aborto legal ser autorizado desde 1940 em casos de estupro e risco à vida da mãe, e estendido pelo STF em 2012 para anencefalia, menos de 4% dos municípios oferecem o serviço, com apenas cerca de 2 mil procedimentos anuais. Pesquisas do Instituto Patrícia Galvão revelam que 96% dos brasileiros consideram meninas de até 13 anos despreparadas para a maternidade, e 82% apoiam o aborto em casos de estupro.

Parlamentares opositores reagiram na Câmara, com a deputada federal Jack Rocha (PT-ES) protocolando um projeto de lei, apoiado por 60 deputados, para conferir força de lei à Resolução 258. Em vídeo nas redes sociais, ela argumentou que sustar a resolução equivale a rasgar um pacto civilizatório, forçando gravidezes em vítimas infantis, o que classifica como tortura. A ativista Laura Molinari alerta que a disseminação de informações falsas cria confusão, afastando vítimas dos serviços e inibindo profissionais, resultando em baixa efetivação do direito legal.

Conteúdos relacionados

Foto: Rinaldo Morelli/ Agência CLDF
Distrito FederalPolítica

CLDF expõe falhas na gestão do Iges-DF e questiona atrasos em UPAs

CLDF revela falhas na gestão do Iges-DF e questiona atrasos em UPAs...

Fachada da Câmara Legislativa do DF com laço rosa desleixado, destacando lacunas no apoio a vítimas de câncer de mama.
Distrito FederalPolítica

Câmara Legislativa do DF expõe lacunas no apoio a vítimas de câncer de mama

Sessão solene na CLDF marca 10 anos da Associação Canomama e expõe...

Obra hidráulica cara no Lago Sul de Brasília que não resolve falhas no abastecimento de água, sob críticas ao GDF.
Distrito FederalPolítica

GDF enfrenta críticas por obra de R$ 19,5 milhões sem solução para água no Lago Sul

GDF enfrenta críticas por obra de R$ 19,5 milhões no Lago Sul...

Palácio do Buriti em Brasília, representando prorrogação de concurso para auditores no DF até 2028.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Governador Ibaneis Rocha prorroga validade de concurso para auditores no DF até 2028

Governador Ibaneis Rocha estende validade de concurso para auditores no DF até...